
Se você achava que a crise da memória RAM estava perto do fim, a notícia é ruim. Um fabricante do setor veio a público dizer que a indústria ainda está no início do problema — e que, em alguns casos, sequer recebe cotações para os chips de que precisa há semanas.
Segundo reportagem da KitGuru, Steffen Eisenstein, VP de Produto da Exceleram, apresentou um panorama detalhado da escassez e foi direto: o boom de inteligência artificial levou os estoques de memória ao limite, e garantir DRAM nunca foi tão difícil. A frase que resume o diagnóstico é desconfortável — a crise da RAM está longe do fim e pode ter apenas começado.
A linha do tempo de uma crise que ninguém viu chegar
O executivo situa o início do problema bem antes do que o mercado percebeu. Para a Exceleram, a crise começou já no quarto trimestre de 2025, quando os preços de DRAM subiram de forma acentuada pela primeira vez — com saltos que ele classifica como extremos já naquele momento.
- Outubro de 2025: primeira alta acentuada nos preços de DRAM
- Dezembro de 2025: a Micron se retira oficialmente do mercado consumidor de RAM e SSD
- Início de 2026: analistas e imprensa passam a falar abertamente em “crise da memória”
- 2º e 3º trimestres de 2026: demanda se recupera ligeiramente, mas os problemas estruturais permanecem
- Agora: escassez ainda escalando, com semanas sem cotação disponível para certos chips
No caminho, os grandes fornecedores registraram ganhos recordes em bolsa, enquanto empresas de porte médio lutavam para manter a montagem de PCs lucrativa. Segundo Eisenstein, preços altos de RAM tornaram o cálculo de custo inviável para vários parceiros, que acabaram abandonando o segmento.
O efeito dominó sobre o mercado de PCs
O relato da Exceleram descreve um ciclo vicioso que vale entender. Quando os parceiros perceberam a escassez chegando, aumentaram os pedidos — o que esvaziou os estoques mais rápido e encareceu ainda mais a DRAM nova. No início de 2026, a empresa estava com inventário zerado, custo de produção alto e demanda em colapso.
A situação chegou ao ponto de a companhia cancelar seu estande na Computex, por avaliar que não fazia sentido buscar novos revendedores naquelas circunstâncias. Atrasos de fornecimento se seguiram e, embora a produção tenha continuado para parceiros já estabelecidos, as vendas caíram fortemente.
O consumidor já se conformou
Há uma observação particularmente reveladora no relato. Eisenstein recorda uma conversa com um jornalista que resumiu o estado de espírito do mercado: as pessoas aceitaram que a RAM ficou mais cara e não vai voltar a baratear. Mesmo assim, ele alerta que preços elevados reduziram a demanda e apertaram a concorrência, com margens bem menores do que aparentam.
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O dado mais preocupante: falta de oferta, não só preço alto
Preço alto é um problema administrável — você ajusta orçamento, adia compra, negocia prazo. Falta de produto é outra categoria de problema. Segundo o executivo, em alguns casos a empresa passou semanas sem receber sequer uma oferta para os chips necessários.
Ele aponta que a segurança de suprimento se deteriorou a ponto de atrasar o desenvolvimento de novos produtos de hardware de consumo. Ou seja: o impacto já ultrapassou o preço de prateleira e está alterando o próprio roadmap da indústria. A adesão de outros fabricantes ao mesmo diagnóstico reforça a tese — adiamentos de lançamento atribuídos à escassez de memória já apareceram em diferentes categorias de eletrônicos neste ano.
O que empresas brasileiras devem fazer agora
Para gestores de TI e compradores corporativos no Brasil, o cenário exige postura ativa, não reativa:
- Antecipe compras planejadas: projetos de renovação de parque previstos para 2027 merecem revisão de cronograma
- Trave orçamento com margem: cotações com validade curta são a norma em mercado escasso
- Considere upgrade em vez de substituição: aproveitar memória já instalada, trocando apenas processador ou armazenamento, evita o componente mais pressionado
- Diversifique fornecedores: depender de um único canal aumenta o risco de ficar sem estoque
- Formalize com nota fiscal: em período de escassez, o mercado paralelo cresce — e com ele o risco de produto sem garantia
Há luz no fim do túnel?
A avaliação da própria KitGuru é cética: quem esperava recuperação do mercado de hardware em 2027 pode se decepcionar. Se o diagnóstico da Exceleram estiver correto, a situação tende a piorar até que novas linhas de produção entrem em operação e ampliem a capacidade — um processo que exige muito tempo e muito capital.
Construir uma fábrica de semicondutores leva anos e bilhões de dólares. Enquanto a demanda por memória para data centers de IA continuar crescendo mais rápido que a capacidade instalada, o mercado consumidor vai continuar disputando as sobras.
Perguntas frequentes
Por que a memória RAM está tão cara em 2026?
O boom de inteligência artificial elevou drasticamente a demanda por DRAM em data centers, esgotando os estoques disponíveis para o mercado consumidor e pressionando os preços desde o fim de 2025.
Quando a crise da RAM começou?
Segundo a Exceleram, a crise começou no quarto trimestre de 2025, com a primeira alta acentuada de preços em outubro daquele ano.
A crise da memória vai acabar em 2027?
A avaliação do setor é pessimista. A normalização depende da entrada de novas linhas de produção, um processo que leva anos e exige investimento bilionário.
A escassez afeta apenas memória RAM?
Não. A pressão se estende a SSDs e a placas de vídeo, que dependem de chips de memória, e já provocou atraso no desenvolvimento e lançamento de novos produtos de hardware.
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Fonte: KitGuru.

