A crise global de memória chegou a um lugar impensável: a própria Nvidia. A empresa que impulsionou a corrida da IA — e, com ela, a explosão da demanda por chips de memória — estaria agora testando versões do seu futuro acelerador Rubin Ultra com capacidade muito menor do que a anunciada, sinal de que nem a gigante das GPUs escapa da escassez que ela mesma ajudou a criar.
Segundo reportagem do Tom’s Hardware, a Nvidia estaria avaliando pelo menos três configurações do Rubin Ultra com apenas 192 GB de memória — uma fração do 1 TB de HBM4E originalmente prometido — e considerando inclusive recuar para a geração anterior, HBM4.
O que é o Rubin Ultra
Rubin Ultra é a evolução da arquitetura Vera Rubin, a próxima família de aceleradores de IA da Nvidia para data centers, sucessora da linha Blackwell. Quando foi apresentada, a promessa de 1 TB de memória HBM4E por acelerador era um dos grandes destaques — memória é justamente o recurso mais disputado para treinar e rodar modelos de IA cada vez maiores.
Por que cortar memória?
A resposta está na matemática do mercado. A produção mundial de HBM (memória de alta largura de banda) está contratada anos à frente, com hiperescaladores comprometendo valores próximos de US$ 2 trilhões para garantir hardware e memória de IA, segundo levantamentos citados pelo próprio Tom’s Hardware. Nesse cenário, mesmo a Nvidia precisa fazer escolhas: configurações com menos memória permitem entregar mais unidades com o mesmo estoque de chips.
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Efeito cascata no mercado de consumo
O que acontece no data center não fica no data center. A disputa por wafers e memória já provocou aumentos de até 39% nas placas GeForce RTX 50 nos EUA, encareceu SSDs e módulos DDR5 e elevou o custo de notebooks e desktops no mundo todo — movimento que o consumidor e as empresas brasileiras já sentem no bolso. Especialistas estimam que a escassez deve durar pelo menos até 2027.
O que isso significa para empresas no Brasil
Para quem planeja infraestrutura de TI, o recado é claro: memória e armazenamento viraram os itens mais voláteis do orçamento. Projetos de servidores, workstations e até upgrades simples de RAM devem ser antecipados sempre que possível, e contratos de fornecimento com prazos garantidos ganham valor estratégico. Adiar a decisão de compra, hoje, costuma significar pagar mais caro amanhã.
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Perguntas frequentes
O que a Nvidia estaria mudando no Rubin Ultra?
Segundo o Tom’s Hardware, a empresa testa pelo menos três configurações com apenas 192 GB de memória — bem abaixo do 1 TB de HBM4E anunciado — e avalia usar HBM4 em vez de HBM4E.
Isso é oficial?
Não. Trata-se de informação de bastidores da cadeia de suprimentos; a Nvidia não confirmou mudanças nas especificações.
Por que existe uma crise de memória?
A demanda de data centers de IA superou a capacidade de produção mundial de DRAM, NAND e HBM, com contratos bilionários travando o fornecimento por anos.
Quando os preços de memória devem normalizar?
Projeções do setor apontam escassez pelo menos até 2027, possivelmente mais.
Com informações de Tom’s Hardware.


