O governo dos EUA está considerando a possibilidade de permitir que a Nvidia exporte GPUs avançadas de IA para a Arábia Saudita. Esses processadores ajudariam o reino a desenvolver seus próprios modelos de linguagem de grande escala (LLMs) e serviços de IA. Assim, o país poderia diversificar sua economia, relata Semafor. Ao mesmo tempo, o governo dos EUA quer garantir que seus adversários, como a China, não tenham acesso a esses GPUs através da nuvem.
A possível venda das GPUs de IA da Nvidia, como H100 e H200, foi um tópico chave, embora não oficial, na recente Global AI Summit (GAIN) na Arábia Saudita. O evento reuniu representantes de empresas como Groq, Google e Qualcomm, junto com autoridades do governo saudita.
Em novembro passado, o governo dos EUA obrigou a Nvidia (e seus parceiros) a obter uma licença de exportação do Bureau of Industry and Security do Departamento de Comércio dos EUA se vendessem processadores avançados de IA ou HPC (como A100, A800, H100, H800, L40, L40S e GeForce RTX 4090) para entidades na China, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Vietnã. Essas licenças geralmente são revisadas com uma presunção de negação, o que prejudica os planos das nações do Oriente Médio de diversificar suas economias além do petróleo.
Em resposta, a Arábia Saudita tem trabalhado para atender aos requisitos de segurança dos EUA para obter acesso aos processadores H200 da Nvidia, de acordo com fontes da Saudi Data and AI Authority citadas pelo Semafor. Porta-vozes da Nvidia e do governo dos EUA se recusaram a comentar. Os GPUs H200 da Nvidia são as ofertas mais avançadas que a Nvidia pode enviar atualmente. Esses processadores são essenciais para desenvolver LLMs como o GPT-4 da OpenAI ou o Llama 70B da Meta.
Uma das principais preocupações do governo dos EUA é a história de colaboração da Arábia Saudita com gigantes tecnológicos chineses, como a Huawei. Portanto, o país teve que reconsiderar seu trabalho contínuo com essas empresas. No GAIN, houve uma presença notavelmente menor de participantes chineses, sinalizando uma mudança em direção aos EUA. Em anos anteriores, empresas chinesas como Alibaba e Huawei desempenhavam um papel mais proeminente, mas este ano viu menos representantes dessas empresas no evento. Ainda assim, enquanto a Arábia Saudita reduziu sua colaboração com empresas chinesas, manteve a opção aberta caso os EUA restrinjam o acesso, relata o Semafor.
Por outro lado, os EUA precisam manter uma abordagem equilibrada nesta situação. Enquanto querem que a Arábia Saudita reduza seus laços com a China, também deve pesar as implicações de permitir que propriedade intelectual sensível flua para o reino. Apesar dessas preocupações, acordos entre a Arábia Saudita e grandes empresas de tecnologia, como as parcerias da Groq com Neom e Aramco, continuam a florescer.
Atualmente, a Arábia Saudita está competindo com os Emirados Árabes Unidos (cujo líder de IA G42 também trabalha tanto com a Cerebras baseada nos EUA quanto com a Huawei da China) na corrida de IA. Ambos os países enfrentam desafios devido à ausência de hardware avançado de IA capaz de treinar grandes LLMs em quantidade suficiente. A falta de acesso a esses processadores tem retardado o progresso das empresas de tecnologia no reino, limitando sua capacidade de acompanhar o rápido avanço das tecnologias de IA nos EUA e na China.
Apesar dos desafios, a Arábia Saudita está investindo fortemente em IA e aproveitando seus abundantes recursos energéticos, que são críticos para alimentar sistemas de IA em larga escala. No entanto, o país ainda depende de expertise estrangeira para desenvolver e implementar tecnologias avançadas. Ainda assim, alguns especialistas permanecem céticos quanto à capacidade da Arábia Saudita de se tornar um hub tecnológico global, dada sua dependência de conhecimento externo, suas questões de direitos humanos e seu ambiente hostil, diz o relatório.

