Na conferência de cibersegurança Black Hat em Las Vegas, uma equipe de pesquisadores revelou uma nova vulnerabilidade que afeta um popular CPU RISC-V. O ataque chamado GhostWrite afeta os CPUs XuanTie C910 e C920 da empresa chinesa T-Head. A falha permite que atacantes obtenham acesso root ou até mesmo extraiam a senha do administrador da memória do sistema.
Os pesquisadores, do CISPA Helmholtz Center for Information Security na Alemanha, revelaram a falha e apontaram vários dispositivos suscetíveis a ela. Embora digam que a vulnerabilidade ainda não parece ser explorada em campo, é uma questão séria. A maioria dos ataques a CPUs encontrados nos últimos anos foram ataques de canal lateral ou de execução transitória, mas esse não é o caso do GhostWrite.
O GhostWrite é o resultado de uma falha arquitetônica, um bug de hardware nos CPUs XuanTie C910 e C920. Estes são apenas dois de muitos CPUs RISC-V, mas são amplamente utilizados para diversas aplicações. De acordo com a equipe de pesquisa, os dispositivos vulneráveis incluem:
- Scaleway Elastic Metal RV1, instâncias de nuvem bare-metal C910
- Milk-V Pioneer, desktop/servidor de 64 núcleos
- Lichee Cluster 4A, cluster de computação
- Lichee Book 4A, laptop
- Lichee Console 4A, pequeno laptop
- Lichee Pocket 4A, console de jogos
- Sipeed Lichee Pi 4A, computador de placa única (SBC)
- Milk-V Meles, SBC
- BeagleV-Ahead, SBC
Como o GhostWrite é uma falha de hardware, não pode ser corrigido com uma simples atualização de software ou patch. A equipe descobriu que o ataque é 100% confiável, levando apenas microssegundos para ser executado. Ele é até capaz de contornar a containerização Docker e outras formas de sandboxing.
A única maneira que os pesquisadores encontraram para mitigar a vulnerabilidade foi desativar a extensão vetorial do CPU. Os processadores RISC-V usam o complemento de extensão vetorial para lidar com valores de dados maiores do que a Arquitetura de Conjunto de Instruções (ISA) base pode processar.
Desativar a extensão vetorial RISC-V significa desativar aproximadamente 50% do conjunto de instruções do CPU. Nos testes, os pesquisadores encontraram uma sobrecarga de até 77% (PDF) ao desativar a extensão vetorial. Isso, naturalmente, pode não ser uma solução aceitável para a maioria dos usos.
A equipe do CISPA Helmholtz relatou o bug à T-Head, que o reconheceu e reproduziu. No entanto, o fabricante não comentou sobre nenhuma correção para a falha.
Fonte: Tom’s Hardware

