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SSDs PCIe 6.0 chegam com 28 GB/s e até 2 PB de capacidade

SSDs PCIe 6.0 começam a chegar: Marvell, Phison e Silicon Motion preparam controladoras de 28 GB/s e até 2 PB. Veja o que muda para data center e IA.
SSDs e controladoras PCIe 6.0 para data center
Foto: reprodução / Tom’s Hardware

Depois de quatro anos de atraso entre especificação e produto, os SSDs PCIe 6.0 finalmente estão saindo do papel. Marvell, Phison e Silicon Motion preparam controladoras capazes de 28 a 30 GB/s, e alguns fabricantes já colocaram unidades no mercado — com capacidades que vão de 25 TB a impressionantes 2 petabytes.

Segundo reportagem do Tom’s Hardware, a especificação PCIe 6.0 foi ratificada no início de 2022, mas a implementação real só engatou agora. O motivo do atraso é técnico e vale entender.

O que muda no PCIe 6.0

Do PCIe 1.0 ao 5.0, a sinalização era NRZ — um bit por sinal. O PCIe 6.0 adota PAM4, que transmite dois bits por símbolo usando quatro níveis de tensão. Resultado: a taxa física continua em 32 Gbaud, mas a taxa efetiva dobra para 64 GT/s por linha.

Para armazenamento, isso significa cerca de 30,25 GB/s em um link x4, já descontado o overhead de codificação. É o dobro do PCIe 5.0.

Por que demorou tanto

  • PAM4 exige DSPs sofisticados, equalização, correção de erros (FEC) e mecanismos de retry por CRC
  • O FEC adiciona um pouco de latência, mas evita elevar a frequência de sinalização para 64 Gbaud
  • O padrão frequentemente exige retimers, algo dispensável no PCIe 5.0 — o que complica o projeto de servidores
  • O PCI-SIG teve de criar do zero procedimentos de conformidade e equipamentos de teste, porque PAM4 se comporta de forma muito diferente do NRZ
  • O primeiro teste de interoperabilidade a 64 GT/s só aconteceu no fim de julho deste ano

Vale registrar um ponto que costuma gerar confusão: o PCIe 6.0 não melhora a operação da memória flash em si. O ganho é de banda na interface com o host.

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As controladoras que estão chegando

Marvell Bravera SC6

Traz 15 núcleos Arm no total — doze Cortex-R82 em dois clusters, três Cortex-M7 e um Cortex-M3 dedicado a segurança. Suporta NVMe 2.2, interface host PCIe 6.0 x4, 16 canais NAND com 8 chip enables por canal e NAND 3D nos formatos SLC, MLC, TLC e QLC a até 3.600 MT/s.

A segurança inclui AES, SHA, RSA e criptografia de curvas elípticas. Estimativas do Tom’s Hardware apontam que a configuração permitiria SSDs de classe 500 TB — ou de classe petabyte com pacotes NAND mais densos. A Marvell começa a amostrar no quarto trimestre de 2026, com drives finais previstos para o fim de 2027 ou 2028.

Phison X3 (PS5303)

É o primeiro controlador PCIe 6.0 x4 enterprise da Phison, com 16 canais e compatibilidade NVMe 2.3. Os números anunciados: até 28 GB/s de leitura e escrita sequenciais, 6,8 milhões de IOPS aleatórios e cerca de 4 GB/s por watt — o dobro do desempenho e da eficiência da geração PCIe 5.0 da empresa.

Fabricado no processo N4 da TSMC (contra N12 da geração atual), suporta capacidades de até 2 petabytes e recursos corporativos como OCP Datacenter NVMe v2.6, TCG Opal 2.3 e 64 funções físicas SR-IOV. Designs de referência começam a ser amostrados em novembro, com produção em volume prevista para 2027.

Silicon Motion MonTitan SM8466

Controlador enterprise de segunda geração, com 16 canais NAND, NVMe 2.x, TCG Opal, Secure Boot e virtualização SR-IOV. Rumores apontam 28 GB/s sequenciais e 7 milhões de IOPS aleatórios, além de suporte a até 512 TB — bem abaixo dos 2 PB da Phison. A SMI ainda não confirmou os números oficialmente.

Quem já tem produto no mercado

  • Micron 9650: primeiro SSD PCIe 6.0 x4 da indústria, com NAND 3D TLC G9 de 276 camadas. Entrega até 28 GB/s de leitura sequencial, 14 GB/s de escrita, 5,5 milhões de IOPS de leitura aleatória e até 25,6 TB de capacidade. Foi projetado para comunicação peer-to-peer com GPUs Nvidia Blackwell, alimentando aceleradores sem envolver a CPU
  • Samsung PM1763: em produção em massa desde julho de 2026, com controlador próprio em processo classe 4 nm e V-NAND de 9ª geração. Nas capacidades de 4, 8 e 16 TB, o modelo maior chega a 28,4 GB/s de leitura e 21,9 GB/s de escrita sequencial. Foi feito para servidores com refrigeração líquida direct-to-chip e suporta criptografia pós-quântica

E para quem não roda data center?

Aqui está a parte que interessa a quem monta workstation ou PC de alto desempenho: por enquanto, nada disso é para você. Todas essas controladoras são de 16 canais e voltadas a nuvem, IA e hyperscale. A Phison ainda não lançou a versão de 8 canais que atenderia desktop e workstation.

As plataformas que já suportam PCIe Gen6 também são de servidor: AMD EPYC de 6ª geração “Venice” e as CPUs Nvidia Vera. Nenhuma placa-mãe de consumidor oferece o padrão hoje.

Na prática, para empresas brasileiras o recado é de planejamento: quem for renovar infraestrutura de armazenamento nos próximos 12 meses ainda vai comprar PCIe 5.0 ou 4.0, e não há prejuízo nisso. O PCIe 6.0 é um degrau de arquitetura pensado para cargas de treinamento e inferência de IA, onde a banda entre storage e GPU é o gargalo real.

Como isso conversa com a crise de memória

Há um pano de fundo que não pode ser ignorado. O mercado de memória atravessa um período de escassez e preços elevados, e isso afeta diretamente o cronograma dos SSDs de nova geração: NAND mais cara empurra para cima o custo de unidades de altíssima capacidade, justamente o nicho que o PCIe 6.0 pretende atender.

É por isso que as capacidades anunciadas soam quase teóricas. Um SSD de 2 petabytes é tecnicamente viável com o controlador da Phison, mas o preço de um conjunto desse porte depende inteiramente de como o mercado de NAND se comportar até 2027 e 2028.

Segundo o Tom’s Hardware, os fornecedores independentes convergem para plataformas enterprise de até 16 canais NAND, com vazão de 28 a 30 GB/s e capacidades entre 512 TB e 2 PB — um alvo comum que sugere que o padrão da categoria já está definido, mesmo antes dos produtos chegarem.

O que fazer agora se você gerencia infraestrutura

  • Não postergue upgrades esperando o PCIe 6.0: os drives de volume só aparecem em 2027 e 2028
  • Verifique se o gargalo real da sua operação é banda de storage — na maioria dos ambientes, não é
  • Se houver projeto de IA no horizonte, considere a topologia de conexão entre storage e GPU já no desenho da arquitetura
  • Refrigeração vira item crítico: as unidades novas são projetadas para servidores com resfriamento líquido direct-to-chip

Perguntas frequentes

Qual a velocidade de um SSD PCIe 6.0?

Em um link x4, o PCIe 6.0 entrega cerca de 30,25 GB/s de banda para o host, o dobro do PCIe 5.0. Os controladores anunciados prometem de 28 a 28,4 GB/s de leitura sequencial na prática.

Já dá para comprar um SSD PCIe 6.0?

Apenas modelos corporativos. O Micron 9650 e o Samsung PM1763 já existem, mas são voltados a servidores. Não há versões para desktop ou workstation no mercado.

Meu PC suporta PCIe 6.0?

Não. Hoje o padrão só está disponível em plataformas de servidor, como os AMD EPYC de 6ª geração e as CPUs Nvidia Vera. Nenhuma placa-mãe de consumidor oferece PCIe 6.0.

Qual a maior capacidade prevista?

O controlador Phison X3 suporta SSDs de até 2 petabytes. O Marvell Bravera SC6 deve viabilizar unidades de classe 500 TB e o Silicon Motion SM8466 até 512 TB.

Vale esperar o PCIe 6.0 para renovar o storage da empresa?

Na maioria dos casos, não. Os produtos chegam ao volume só em 2027 e 2028, e o ganho se concentra em cargas de IA. Para bancos de dados, virtualização e arquivos, PCIe 4.0 e 5.0 seguem entregando com folga.

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