Se você confia que o dissipador M.2 da sua placa-mãe está de fato resfriando o SSD, um teste recente sugere que essa confiança pode estar mal colocada. Ao verificar 20 placas modernas de AMD e Intel, apenas 6 apresentaram contato realmente adequado entre o dissipador principal e o drive instalado.
Segundo reportagem da Tom’s Hardware, o teste nasceu de reclamações recorrentes em fóruns e no Reddit. A metodologia foi simples e replicável: remover o dissipador do slot M.2 PCIe 5.0 principal, retirar a película protetora, instalar um SSD de dupla face de 2 TB com 3,8 mm de espessura, reinstalar o dissipador conforme o mecanismo padrão da placa e inspecionar as marcas de compressão.
O resultado, em números
- 6 placas fizeram bom contato ao longo dos componentes do SSD, com compressão adequada.
- 5 placas tiveram contato completo, porém com compressão muito leve.
- 9 placas não fizeram contato adequado — tocaram basicamente o controlador, deixando chips NAND descobertos em uma ou nas duas faces.
Vale registrar a ressalva do próprio teste: 20 placas são uma amostra pequena diante do universo disponível. Ainda assim, o padrão observado é inconsistente o suficiente para merecer atenção — e, o mais surpreendente, o preço da placa não previu o resultado.
O que acontece quando o SSD esquenta demais
O throttling térmico em SSD não é sutil. No teste, um drive PCIe 5.0 de 2 TB sem dissipador começou perto de 4.000 MB/s e despencou para cerca de 1.700 MB/s pouco depois dos 50 segundos de transferência. Recuperou brevemente ao cair abaixo do limite crítico, voltou a cair e, minutos depois, estabilizou em torno de 600 MB/s — mais de seis vezes abaixo do desempenho nominal e mais próximo de um SSD SATA do que de um PCIe 5.0.
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Por que é tão difícil acertar
A raiz do problema é normativa. O padrão M.2, governado pelo PCI-SIG, define apenas alturas máximas para drives de face única e dupla face, deixando decisões como a espessura do pad térmico a critério de cada fabricante de placa.
A margem é estreita. Drives de face única têm de 1,2 mm a 2,0 mm no lado superior. Os de dupla face vão de 1,2 mm a 1,5 mm em cima e de 0,7 mm a 1,35 mm embaixo. Diferenças de décimos de milímetro decidem entre compressão correta, contato apenas parcial e nenhum contato. E pad térmico tem zona ideal: alguma compressão melhora a transferência de calor, compressão excessiva piora.
Desempenho por fabricante
A Tom’s Hardware detalhou o comportamento por marca dentro da amostra testada:
- ASRock teve o maior número de placas no teste (sete) e quatro delas com contato adequado, incluindo X870E Taichi White, X870 Livemixer, Taichi Creator e Z890 Taichi Lite.
- ASUS teve três de quatro placas aprovadas, ainda que com compressão considerada leve. A exceção foi a B850 Creator Wifi.
- Gigabyte teve apenas uma de três placas com contato completo nas duas faces — a Z890 Aorus Elite Duo X, que usa a tecnologia M.2 EZ-Flex, de base flexível.
- MSI foi a pior da seleção, com apenas duas de seis placas aprovadas: Z890 Tomahawk II e X870E Godlike X Edition.
Como corrigir na prática
A boa notícia é que a solução é barata e acessível a qualquer usuário:
- Verifique antes de fechar o gabinete. Instale o SSD, feche o dissipador, abra de novo e observe as marcas no pad. Sem marca uniforme, não há contato uniforme.
- Troque o pad térmico. Pads mais espessos com condutividade igual ou superior resolvem a maioria dos casos, com opções de 0,5 mm a 1,5 mm em faixa de preço baixa.
- Considere dissipador de terceiros. Remover o cooler embutido e usar um modelo dedicado é a rota para quem precisa de desempenho sustentado.
- Cuide do fluxo de ar do gabinete. Nenhum dissipador funciona bem em caixa sem ventilação. Fans bem posicionados ajudam tanto quanto o pad correto.
- Em drive de dupla face, olhe o lado de baixo. Muitas placas simplesmente não oferecem solução térmica para a face inferior.
Isso importa para o seu caso?
Depende do uso, e a honestidade aqui é importante. Para quem só joga, o efeito prático tende a ser pequeno: carregamento de jogo mistura arquivos grandes e pequenos e raramente sustenta transferência por tempo suficiente para provocar queda severa.
O quadro muda para quem transfere grandes volumes de dados com frequência, roda banco de dados, faz ingest de vídeo bruto ou executa cargas de IA local. Nesses cenários, o throttling deixa de ser detalhe técnico e vira perda de produtividade mensurável — você pagou por PCIe 5.0 e está recebendo desempenho de SATA em transferência longa.
A conclusão é direta: se o seu trabalho depende de armazenamento rápido de forma sustentada, vale gastar cinco minutos verificando o contato do dissipador e, se necessário, alguns reais em um pad térmico decente.
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Perguntas frequentes
Quantas placas-mãe passaram no teste de contato?
Das 20 placas testadas, apenas 6 fizeram bom contato com compressão adequada ao longo do SSD. Outras 5 tiveram contato completo mas com compressão muito leve, e 9 não fizeram contato adequado, tocando basicamente o controlador.
O que é throttling térmico em SSD?
É a redução automática de desempenho quando o drive ultrapassa o limite de temperatura, normalmente entre 70 °C e 85 °C. No teste, um SSD PCIe 5.0 sem dissipador caiu de quase 4.000 MB/s para cerca de 600 MB/s.
Por que é difícil acertar o contato do dissipador M.2?
O padrão M.2 definido pelo PCI-SIG especifica apenas alturas máximas para drives de uma ou duas faces. A espessura do pad térmico fica a critério do fabricante da placa, e a variação de altura entre SSDs torna difícil acertar a compressão ideal para todos.
Como corrigir um dissipador M.2 que não faz contato?
A solução mais barata é trocar por um pad térmico mais espesso com condutividade igual ou superior, como as opções de 0,5 mm a 1,5 mm disponíveis no mercado. A alternativa é usar um dissipador M.2 de terceiros no lugar do que vem na placa.
Isso afeta quem só joga no PC?
Pouco. Cargas de jogo envolvem arquivos variados que raramente sustentam transferência longa o bastante para provocar throttling. O problema é sério para quem move grandes volumes de dados, roda banco de dados ou cargas de IA.
