A crise de preços da memória fez algo que ninguém previa: ressuscitou uma plataforma que a própria Intel já tratava como capítulo encerrado. A empresa confirmou que o Intel Raptor Lake — os Core de 13ª e 14ª geração — vai continuar no catálogo por anos, empurrado por uma corrida inesperada de compradores fugindo do preço da DDR5.
Segundo reportagem do Tom’s Hardware, quem afirmou isso foi Robert Hallock, vice-presidente e gerente-geral do negócio de canal de entusiastas da Intel, em entrevista ao site. Ele descreveu produtos de 10 nm como o Raptor Lake como parte central do portfólio que a Intel quer oferecer “por anos”.
Por que a DDR4 voltou a ser interessante
A conta é simples e brutal. Com a escassez global de memória, os preços da DDR5 dispararam — em alguns casos quintuplicaram para o consumidor, segundo levantamento do PCPartPicker citado pela Adrenaline. Quem tem orçamento apertado passou a comparar o custo total da máquina, não só o do processador.
E aí o soquete LGA 1700, que aceita DDR4, virou saída. Hallock resumiu o movimento como um “aumento repentino de demanda” que a Intel não tinha como antecipar — a produção de wafers é planejada com muitos meses de antecedência.
O efeito colateral: os chips antigos ficaram mais caros
- Core i5-14600K: vendido por US$ 200 ou menos durante boa parte do ano passado, agora ronda os US$ 250. No Brasil, aparece por R$ 1.699,99 na Amazon e R$ 1.999,99 na Kabum
- Core i7-14700K: deveria custar cerca de US$ 330, mas foi visto a US$ 380 e esgotado em grandes varejistas
- A oscilação de estoque também tem a ver com a descontinuação gradual de produtos antigos
Hallock afirmou que o preço deve normalizar com o tempo e que esse é o plano da empresa. Enquanto isso, a Intel promete aumentar o estoque de Raptor Lake.
Faz sentido montar um PC DDR4 hoje?
Depende do uso — e a resposta honesta é menos animadora do que o hype sugere. O próprio Tom’s Hardware, ao reavaliar o Ryzen 7 5800X3D, constatou que o Core i7-14700K e o 13700K empatam com ele em jogos usando DDR4, e ganham com folga em aplicações. Ou seja: para produtividade, a plataforma entrega.
Em jogos, porém, a conclusão foi que a DDR4 é o principal gargalo do conjunto LGA 1700. Você economiza na memória e paga em desempenho. Para quem monta máquina de escritório, estação de edição leve ou PC gamer de entrada, o trade-off compensa. Para quem quer topo de linha, não.
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Placas-mãe DDR4 voltaram à linha de produção
O movimento não é isolado. Ainda em junho, fabricantes começaram a ampliar a produção de placas LGA 1700 com suporte a DDR4, e esses produtos estão chegando ao varejo agora. Poucos dias atrás, a Gigabyte lançou uma nova placa LGA 1700 com DDR4 — e também trouxe placas AM4 inéditas para o lado da AMD.
Vale lembrar que placas LGA 1700 com DDR4 nunca foram abundantes. Elas surgiram como paliativo na era Alder Lake, durante a transição para DDR5, e caíram em desuso quando a DDR5 barateou. O mercado deu meia-volta.
O que vem pela frente
- Raptor Lake Next: nova leva de refreshes prevista para o início do ano que vem, com fabricantes de placas já se preparando
- Bartlett Lake: processadores só com P-cores, hoje restritos a aplicações embarcadas e ainda sem versão para o mercado DIY
- Nova Lake: a geração seguinte segue no cronograma — o esforço em Raptor Lake não a atrasa
Hallock também indicou que a Intel, e a indústria em geral, estuda separar mais claramente as ofertas para o mercado mainstream e para o segmento entusiasta, justamente por causa das pressões de preço.
Como decidir entre DDR4 e DDR5 hoje
A pergunta prática não é qual memória é melhor — é DDR5, sem discussão técnica. A pergunta é qual conjunto entrega mais desempenho pelo dinheiro disponível no momento da compra. E com a memória em alta, a resposta mudou de lado para boa parte dos perfis.
- Escritório, gestão e uso administrativo: DDR4 resolve. A diferença de banda é praticamente invisível em navegador, planilha, ERP e videoconferência
- Edição e renderização: avalie caso a caso. O Raptor Lake com DDR4 ainda entrega muito em aplicações, mas cargas que dependem de banda de memória sofrem
- Jogos em 1080p com GPU intermediária: DDR4 segura bem, porque a placa de vídeo costuma ser o gargalo antes da memória
- Jogos em alto desempenho com GPU de topo: DDR5. Aqui a memória vira o limitador e a economia não compensa
Há ainda um fator que raramente entra na conta: o caminho de upgrade. Comprar LGA 1700 hoje significa entrar em uma plataforma sem futuro de processador novo além dos refreshes anunciados. Para uma máquina que vai rodar cinco anos sem alteração — perfil típico de parque corporativo — isso é irrelevante. Para quem troca peças com frequência, é um custo escondido.
O risco de esperar
Uma tentação natural é adiar a compra até a memória normalizar. Hallock afirmou ao Tom’s Hardware que o preço deve “voltar ao normal” com o tempo, mas não deu prazo. Enquanto isso, os próprios chips LGA 1700 subiram por causa da demanda extra. Postergar pode significar pagar mais caro nos dois componentes.
Perguntas frequentes
A Intel vai continuar vendendo Raptor Lake?
Sim. Robert Hallock, VP da Intel, afirmou que produtos de 10 nm como o Raptor Lake são parte central do portfólio da empresa e devem seguir disponíveis por vários anos.
Vale a pena montar um PC com DDR4 em 2026?
Vale para uso corporativo, escritório e PC gamer de entrada, onde a economia na memória compensa. Para jogos de alto desempenho, a DDR4 é o principal gargalo da plataforma LGA 1700.
Por que os processadores da 13ª e 14ª geração ficaram mais caros?
Porque a alta da DDR5 empurrou compradores de volta para plataformas DDR4, criando uma demanda repentina que a Intel não havia planejado. O i5-14600K saiu de cerca de US$ 200 para US$ 250.
Quais memórias o soquete LGA 1700 aceita?
Depende da placa-mãe. Existem modelos LGA 1700 com DDR4 e modelos com DDR5 — o soquete é o mesmo, mas o tipo de memória é definido pela placa.
O que é o Raptor Lake Next?
É uma nova leva de refreshes dos Core de 13ª e 14ª geração prevista para o início do próximo ano, com fabricantes de placas-mãe já se preparando para recebê-la.
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